Confesso que há muito não sinto falta do sal nos meus cozinhados. Quem não tem ainda o palato preparado para comida sem sal ou com muito pouco sal, naturalmente queixa-se quando os come.
Há uns dias, estávamos a filmar uma receita para o blog e inundava o recinto um cheirinho maravilhoso a bolinhos de peixe, camarão e legumes. A massa ficou muito fofa, cresceu como era esperado e assim que a primeira fornada estava pronta, havia já vários candidatos a experimentar. Colocámos os bolinhos numa travessa e oferecemos – todos fizeram uma avaliação semelhante: são muito bons, mas têm pouco sal.
Fiquei a pensar nesta questão, não podia manter as minhas experiências na cozinha Nutrição com Coração para agradar apenas… A mim! Conhecia as opções de substituição de sal que existem no mercado, mas confesso que gosto dos alimentos a saber ao que são, sem grandes disfarces ou máscaras… É claro que prontamente identifico o valor nutricional das ervas aromáticas, mas, confesso, raramente as uso. Ou usava!
Como nada acontece por acaso, no dia seguinte encontrei o Luís Alves do Cantinho das Aromáticas enquanto lia as aplicações culinárias de cada uma delas, estrategicamente colocadas num cantinho da zona de biológicos do El Corte Inglés. O Luís parecia ter adivinhado as minhas questões: já experimentaste o tomilho bela-luz? Fica maravilhoso em pratos de peixe.
Poderão adivinhar o que se seguiu, fui para casa e experimentei a receita de bolinhos de peixe com tomilho bela-luz. Querem saber o resultado? Muito bom!
Faz sentido procurar alternativas ao uso de sal, que nos auxiliem a reduzir a quantidade que ingerimos diariamente.
A OMS recomenda a ingestão de menos de 2g de sódio, correspondentes a menos de 5g de sal, diariamente, com vista a reduzir a tensão arterial e as doenças cardiovasculares, em adultos. Para fazerem a conversão de sódio para sal (cloreto de sódio) basta multiplicarem a quantidade de sódio por 2,5- dá jeito para analisar rótulos. As indicações são claras, permitindo a ingestão de 5g de sal, no máximo, diariamente. Se ingerirmos menos, tanto melhor.
Assim que dou esta indicação, são já vários os Pacientes que me respondem: mas nós precisamos de sal, não é? Sim, necessitamos de sal, mas muito facilmente atingimos a quantidade necessária para o equilíbrio do organismo.

Há vários tipos de sal: refinado, marinho, marinho tradicional ou integral, flor de sal, sal dos Himalaias. Há ainda alimentos ou produtos alimentares que podem ajudar mesmo a substituí-lo, na totalidade ou em parte. Já se falou da salicórnia, uma erva daninha acerca da qual se descobriu a preciosidade de dar um sabor agradável a saladas e pratos. Foi designado como “sal verde”, mas considero que podemos completar esta classificação- há mais sal verde à nossa mercê, tantas vezes de forma mais simples. É claro que as ervas aromáticas são o melhor exemplo e dentro delas destaco o tomilho bela-luz. Uso-o muitas vezes em vários pratos, tanto de carne como de peixe, é muito bom!

Falemos um pouco de cada um destes produtos…
O sal refinado é o mais modificado, mais sujeito a tratamentos e transformações e o menos interessante.
O sal marinho tem mais interesse, mas devemos escolher o integral, obtido de forma natural e mantendo por isso maior valor nutricional.
A flor de sal obtém-se de outra forma, recolhendo os cristais formados na produção de sal marinho, à superfície da água, nas salinas. Assim, não se trata de um produto processado ou alterado, mantendo minerais.
O sal dos Himalaias é sem dúvida o melhor. Obtido naturalmente, sem procedimentos químicos, é o que contém mais minerais e também, de todos, o que tem menor teor de sódio.

Outras dicas marcam a diferença, quando usamos sal: devemos fazê-lo o mais possível na fase final de confecção, idealmente já no prato, sobretudo a flor de sal e o sal dos Himalaias. Além disso, quanto menos água usarmos nos nossos cozinhados, mais manteremos o sabor dos alimentos – e reduziremos as perdas nutricionais – evitando aumentar a quantidade de sal para conseguir mais sabor.

Vamos a isso?

Se calhar também gostaria de ver métodos de confecção saudáveis

Ana Bravo
Author

Nutricionista: amante do tipo de cozinha que procura aliar saúde aos melhores sabores; Mulher: apaixonada pela verdadeira beleza das coisas mais simples; Objectivo: ser feliz na medida do possível, gostar de mim todos os dias e ajudar quem me segue, nesse mesmo caminho.

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