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Curiosidades & Dicas

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Helena Simões tem pela arte uma paixão antiga e preparou um bolo para a Nutrição com Coração.

Apesar da formação em engenharia, há cerca de uma ano que se dedica ao Cake Art para criar bolos únicos com imagens muito especiais.

O Canal Nutrição com Coração do Jornal de Notícias foi conhecer o trabalho inspirador da Fleur de Lys.

Assista AQUI ao vídeo completo.

“Sabe quais os alimentos que deve comer crus e quais os que deve ingerir cozinhados?”

Esta foi a primeira questão que a Magg me colocou, seguida de outras mais específicas:

🤔 Será que devemos comer crus? Beterraba • Brócolos • Framboesas, mirtilos e amoras • Pimento • Alho

🤔 E será que devemos cozinhar sempre? Tomate • Espargos • Alcachofra • Beringela • Cenoura

Leia tudo AQUI.

No dia 16 de Outubro comemora-se o Dia Mundial da Alimentação e do Pão e estivemos com acções em escolas, por isso só agora publico este artigo. Vamos falar sobre um alimento que tem uma carga cultural tão forte e que pode ser um amigo da saúde: o pão.

Na sua versão mais simples, o pão é uma mistura de farinha, água,  sal e fermento. O tipo de farinha pode variar e até pode ser usada uma combinação de 2 ou mais variedades e a proporção em que se utiliza cada um destes ingredientes também pode ser diferente. Realcemos que o próprio tipo de levedação pode variar e o fermento que se usa para a sua confeção pode ser natural (aproveitando-se uma porção de massa fermentada de outro pão cozinhado anteriormente, chamada “massa velha” ou “massa velha”), ou artificial (utilizando o bicarbonato de sódio que serve como acelerador da fermentação da massa). No primeiro caso, o pão resultante habitualmente émais rico em aromas e sabores pois a levedura (Saccharomyces cerevisiae) que o fermenta teve mais tempo para apurar essas características da massa. A utilização do fermento artificial é o mais usual na produção de pão industrial, havendo, no entanto, alguns pães tradicionais, como o pão alentejano e algumas broas minhotas, que conservam a utilização de fermento natural. Mas o pão é muito mais do que esta simplicidade de constituintes e de modos de confecção. Faz parte da dieta mediterrânica e é um símbolo da cultura portuguêsa , como já cantava Amália Rodrigues. Temos muitos exemplos típicos, para além dos que já referi, como a Broa de Avintes, a Broa de Milho, o Bolo do Caco, o Pão de Mafra (típico “Saloio”, ou de mistura), o pão integral, o pão de centeio e o Papo-seco (ou Carcaça) que completam um leque muito variável e característicos das várias zonas do País, deste alimento que é o pão. Entre todas estas opções, o pão varia muito em formas, cores, densidades, texturas, tamanhos (pesos), aromas e sabores. Já para não falar nos “pães compostos”, que para além dos ingredientes típicos ainda lhes são acrescentados outros com evidência científica de vantagens para a saúde e que pode enriquecer este nobre alimento da nossa cultura. De facto a Indústria Panificadora tem evoluído muito, usando ingredientes que se tornam cada vez mais comuns na alimentação dos portugueses: sementes, frutos oleaginosos como nozes e até hortícolas como a abóbora e a beterraba, por exemplo. Assim, deparamo-nos com prateleiras recheadas dos mais diversos pães, o que pode tornar a escolha difícil. Há vários mitos associados a este alimento, entre eles a falsa crença que, quanto mais escuro for o pão, melhor, sobretudo quando a preocupação é gerir o apetite ou controlar o peso. Neste contexto, há ainda o princípio errado de que “comer pão engorda”. Já vamos falar deste e de mais mitos. No que respeita ao objetivo de controlo do peso, existem no mercado pães com mais  elevado teor de proteína e fibra, uma junção muito saciante. Mas não esqueçamos que o pão é, sempre, antes de mais uma fonte rica em hidratos de carbono. Na sua generalidade, o pão é um óptimo fornecedor de vitaminas B1, B2, B3 e B6, magnésio, fósforo, potássio, selénio e manganésio, boa gordura (insaturada, nomeadamente os pães que contêm maior teor de ómega 3 – os enriquecidos em linhaça e/ou chia e/ou nozes) e hidratos de carbono (quase sem açúcares), fibra (reguladora da função intestinal) e reduzido sal. Sobre este último importa ressaltar que neste momento o limite encontra-se legislado para 1,2g/100g de pão, mas há um acordo com a Indústria de Panificação para o diminuir gradualmente (até 2021) nos próximos anos até1g/100g de pão.Interessa ainda referir que há casos de intolerância/alergia ao glúten ou ao fermento, utilizados na confecção do pão, mas até para esses casos jáestão disponíveis variedades sem glúten e sem fermento.Para variar, poderá também fazer o seu próprio pão. Porque não? Arregace as mangas e ponha as mãos na massa… Idealmente ao fim-de-semana ou quando tiver mais tempo. Porque não com os miúdos? Pode fazer logo uma quantidade suficiente para vários dias. Encontrará várias receitas nos meus livros e aqui no Blog Nutrição com Coração. No final deste artigo encontrará 6 sugestões.Vamos então desfazer alguns mitos, os que exponho foram debatidos hoje no programa Você na TV, na TVI com a minha Maria Cerqueira Gomes e o tão amável Manuel Luís Goucha: 

São vários os mitos acerca do pão. Falámos de alguns:
1 – O pão engorda – Mito
O que engorda é o facto de ingerirmos mais calorias do que gastamos. O pão, quer pela carga cultural que contém, quer, sobretudo porque sensorialmente agrada, pode acrescentar calorias significativas ao dia alimentar, tanto porque se come em maior quantidade do que se devia, como pela densidade calórica do que se usa como recheio.


2.       Congelar pão torna o alimento menos rico nutricionalmente – Mito
O pão não sofre alterações significativas a nível nutricional.


3.       O pão faz inchar a zona abdominal – meia verdade e meio mito
Depende do tipo de pão (da sua composição) e do organismo de cada pessoa. A intolerância ao glúten, por exemplo, pode desencadear distensão abdominal. Nesses casos devem procurar-se variedades sem glúten. O pão integral – a fibra – pode provocar mais flatulência sobretudo em algumas pessoas.


4.       O pão integral é mais saudável do que os outros – Depende
À partida será verdade, mas há vários factores a ter em conta. Se o pão integral tem apenas os ingredientes comuns no pão (farinha, água, sal e fermento) e é comparado com a mesma versão produzida com o cereal refinado, então será mais rico nutricionalmente e saciará por mais tempo, além de ter um impacto positivo no colesterol e na regulação da glicemia. No entanto, um pão integral também pode ter gordura adicionada e caloricamente já não será tão interessante. Interessa conhecer a lista de ingredientes. Por último, uma pessoa que tenha uma doença inflamatória intestinal não tem vantagem em ter um pão com mais fibra.

5.       O pão do híper ou supermercado faz pior à saúde do que o da padaria ou do feito em casa – Depende 
Mais uma vez interessa perceber de que tipo de pão estamos a falar e qual a sua composição. Um pão fresco pode ter demasiada gordura e açúcar, por exemplo, assim como um pão de longa duração pode ser equilibrado sob o ponto de vista nutricional. Tal não quer dizer que este último não tenha aditivos, nomeadamente conservantes, mas visto como um produto de conveniência, pode ser interessante. Falo de pessoas que não têm oportunidade de comprar pão fresco com frequência e não gostam de pão descongelado, provavelmente ter a opção desse pão de longa duração equilibrado será mais interessante do que optarem por bolachas ou biscoitos ou outras opções pouco equilibradas.
Os super e hipermercados muitas vezes têm padarias próprias e disponibilizam todo o tipo de pão.

6.       O pão escuro é sempre o melhor – Mito
Pode não ser. O facto de um pão ser escuro não quer dizer que seja saudável, pois pode esconder outros ingredientes, como gordura ou açúcar.
Conselho: veja bem a lista de ingredientes!

Algumas receitas de pão (para as ver basta clicar no nome):
Pão de casca de banana
Pão de alfarroba e amêndoas
Pão de bacalhau e curcuma
Focaccia de kamut e alecrim
Pães de mandioca e curcuma
Clique AQUI e AQUI para assistir aos vídeos.

Hoje partilho convosco a entrevista que dei à jornalista Patrícia Toste de Sousa, para a revista LUX. Na íntegra, sem filtros, tal como sou. A forma como vivo, agora. O amor. O meu Guru Paramahamsa Vishwananda, a necessidade do campo e de ter a minha gente bem perto. E mais amor. Há muito que me deixei de castelos encantados e de contos de fadas. Sou eu assim, feliz na minha imperfeição. E nem sempre sorrio. Mas no final dos dias, é amor, o que sinto.

 

Como passou as férias de verão?

Em Maio fiz uma viagem a Bali, uma espécie de retiro com mulheres inspiradoras, razão por que senti vontade de ficar em Portugal no verão. É precisamente em Maio que começo a desfrutar de fins-de-semana prolongados em várias zonas do país, sobretudo em Trás-os-Montes, de onde sou natural e onde me sinto tão bem. Tenho lá uma casa no meio do campo onde passo todo o tempo possível, assim como numa quinta que adoro – a Quinta de Fiães. Devolvem-me a tranquilidade e é lá que encontro o equilíbrio e a inspiração. Além disso, o meu irmão tem barcos no Douro e é também no rio que encontro essa paz. Como vê, os meus programas passam muito pelo encontro com a natureza, com os pés descalços na terra, ioga, meditação e – claro –  uma alimentação natural e saudável, o mais possível com alimentos frescos, acabados de colher. Ainda fui à Alemanha passar uma semana perto do meu Guru. Regressei em paz, serena, grata e feliz, cheia de coisas boas que também vou partilhar. Sinto uma necessidade grande de me desfocar do meu dia-a-dia, de me afastar do meu meio habitual para poder observar-me melhor e escutar-me mais serenamente.

O regresso ao trabalho e à rotina é para si difícil?

No contexto que referi, não. Aprendi a ter dias bons, com tempo para tudo e assim fico equilibrada e feliz. Eu sempre fui apaixonada pelo que faço, mas em tempos percebi que não gostava da forma como o fazia. Cheguei a uma altura em que acumulava tarefas e não saboreava cada uma devidamente. Vivia tão absorvida nessas tarefas diárias, tão focada em dar aos outros, que pouco ou nada parava para cuidar de mim. Não me refiro à falta de convívio com as pessoas a quem amo – tal sempre foi tão vital para mim como respirar – e muito menos ao cuidar do corpo, desde o exercício físico às tarefas que nós, mulheres, temos quase como necessidade para integração social. Refiro-me à necessidade de nos ouvirmos, de nos escutarmos, algo que só reencontrei na meditação.

Acho que é comum, vivemos na era do “não há tempo”, na era da necessidade de aproveitar todos os segundos para executar tarefas, na era do “tenho que ser perfeito ou mostrar que sou”. Uma tal perspetiva vai pesando e se começamos por achar graça a um telemóvel que nos permite trabalhar em todo o lado e a um instagram que nos permite saber que um grupo mais ou menos extenso de pessoas gosta do que fazemos e mostramos, a determinada altura isso vai-nos subtraindo energia e alegria. Chegamos a um ponto em que nos tornamos reféns da tecnologia que, em vez de nos ajudar, nos limita, roubando tempo e liberdade. “Aproveitamos” o pouco tempo livre, aquele em que estaríamos apenas connosco e que é tão importante para o nosso equilíbrio, para adiantar trabalho ou expormos o que fazemos nas redes ou simplesmente inteirando-nos do que os outros fazem.

Felizmente encontrei o equilíbrio, redefini prioridades e passei a ter mais tempo e uma parte do dia dedicada só a mim. Posso escolher ver o mar, meditar, ler, preparar “comida feliz” com tempo – cozinhar também é uma terapia – caminhar, tomar um banho mais demorado, preparar uma máscara ou um exfoliante com produtos naturais, cuidar do corpo, ouvir música de que goste muito ou simplesmente ficar em silêncio. As coisas simples encantam-me!

É nutricionista de profissão, mas é também uma empreendedora. Pode indicar-nos em que projetos está, neste momento, envolvida?

Tenho a minha clinica, Saudarte, no Porto e dou consultas em Lisboa, na clinica do Dr. Ibérico Nogueira. O Blog Nutrição com Coração e o novo livro permitem-me criar, o que para mim é vital. Para tal tenho também o estúdio em Vila Real e uma equipa maravilhosa a trabalhar nele. Crio conteúdos semanais para o Canal Nutrição com Coração do Jornal de Notícias, contando também com uma equipa excepcional. As redes sociais Nutrição com Coração permitem-me estar em contacto diário com o público e saber de que forma posso ajudar as pessoas, o que faço com as publicações de receitas e outros conteúdos. Sou consultora de algumas empresas, tenho a minha marca de produtos alimentares saudáveis em parceria com a Cem Porcento e ainda o projeto de restauração My’kai Poké Bowls. E há mais…

Atualmente tem algum programa ou rubrica num canal de televisão?

Nesse processo de redefinição de prioridades afastei-me um pouco da televisão no último ano, mas conto regressar em breve. Já tenho saudades!

Como, e quando, surgiu o canal Nutrição com Coração no Jornal de Notícias online?

Surgiu há quase 3 anos, a convite do diretor, Domingos de Andrade. É mais uma das minhas paixões, tem variedade de conteúdos, permite-me conhecer espaços, entrevistar pessoas, cozinhar… E partilhar muito!

Entretanto, também já publicou oito livros. Escrever é uma paixão?

Publiquei 6 e estou a caminho do sétimo, aquele que será, seguramente, o livro da minha vida. É muito diferente de todos os outros, tem muito de mim, com e sem bata branca.

Que desafio profissional gostava de abraçar e que ainda não teve oportunidade?

Um deles era escrever o livro que estou agora a terminar. Depois de 6 livros cujo objetivo foi essencialmente a alimentação, este novo livro foca-se, antes de mais, em pessoas. Todos somos parecidos num sem número de fatores, desde as necessidades mais básicas aos processos que nos mantêm vivos. E no meio de tal semelhança, é ainda muito o que nos diferencia e nos torna únicos. Cada pessoa tem um universo próprio, singular, ímpar. Constato-o enquanto nutricionista, observando os meus pacientes e sinto-o na pele enquanto mulher. Se em todos os outros livros fez sentido partilhar a minha experiência como nutricionista, neste, saio na minha zona de conforto e partilho um pouco, também, a experiência da pessoa, sem bata.

Pensei muito antes de escrever mais um livro e tornou-se muito claro que só fazia sentido fazê-lo se com ele pudesse ensinar as pessoas a gostarem mais delas próprias antes de iniciarem qualquer plano alimentar e, logo depois, a gostarem da sua relação com a comida e da comida em si. Importa identificar padrões comportamentais e “fragilidades”. Gostava que as pessoas percebessem que a alimentação não é um fim, mas sim um princípio constante e por isso só deve desencadear emoções boas. Nesta realidade em que reinam as regras e a disciplina, a necessidade de ser perfeito ou de se mostrar que é, fica pouco espaço para tal, para nos amarmos puramente e também para voltar a gostar da comida, a comidinha boa, a “comida saudável e feliz” de que tanto falo. A consciência alimentar é urgente, sim, mas não este fundamentalismo que torna as pessoas escravas. Esquecemo-nos de nós e é nesse caminho que pretendo ajudar.
O outro passa por um projeto televisivo mais arrojado. Tenho muitas ideias.

Em 2018 foi premiada pelo Ministério da Saúde por promover a saúde Pública. Como recebeu esta distinção?

O Ministério da Saúde premiou-me como uma das 12 personalidades portuguesas que promove a Saúde pública. Foi e é muito gratificante saber que o meu trabalho de uma vida é reconhecido publicamente. Esta homenagem só me dá mais motivação para continuar a querer fazer melhor todos os dias.

O blog Nutrição com o Coração, foi um trampolim para alcançar visibilidade?

Na verdade, o Blog surgiu quando essa visibilidade já estava alicerçada.

Tem uma amiga de infância, a Kiki (não sei como se chama), que a ajuda a desenvolver as suas receitas. Qual a participação da Kiki nos seus projetos e na sua vida?

A Kiki é minha irmã; não temos o mesmo sangue mas partilhamos o mesmo amor. Na verdade é neta da minha ama, a Avó Luz, minha boa e querida amiga desde que nasci e trabalha comigo na Cozinha com Coração já há uns anos. É uma ótima ajuda, uma inspiração, um pilar de apoio; juntas, chegamos às melhores receitas. Aliás, olhando para trás, sempre foi assim, as nossas melhores brincadeiras de infância aconteciam à volta da nossa cozinha e dos nossos cozinhados.

A sua silhueta é fruto da “dieta” que defende?

Eu só sou feliz onde há comidinha boa, a minha “comida feliz”. E assumo-o, antes de mais, para mim mesma. Essa é a preocupação, que alio à consciência alimentar. A saúde vem desta equação e a silhueta acompanha-a. Tenho equilíbrio alimentar, prazer de comer e acho que é assim que deve ser.

Posso fazer uma viagem linda, estar num sítio paradisíaco mas não consigo vivê-los em plenitude se não saborear comida que me satisfaça. Naturalmente não é à quantidade que me refiro, mas sim à qualidade: comida saudável, linda e saborosa. Só sou plenamente feliz com ela. Assumo-o. Aceito-o. Respeito-me.

Não sigo um plano alimentar escrupulosamente, abro algumas exceções. Nem sempre as partilho porque acho que devo passar bons exemplos e dar às pessoas as ferramentas que lhes possam facilitar a vida no sentido de terem uma alimentação saudável e equilibrada. Em todo o caso, não sou fundamentalista, não há “alimentos proibidos” nos meus planos alimentares. O velho ditado “nem sempre nem nunca” adapta-se na perfeição à alimentação. Há outro ainda: devemos adaptar a alimentação à nossa vida e não a vida à nossa alimentação. Eu sigo esta filosofia.

O exercício também faz parte do seu dia-adia?

Sim, faz. Aprendi a gostar de treinar e não prescindo desses momentos que também fazem parte do meu equilíbrio.

É difícil comer bem (de forma saudável)?

E está ao alcance de todos?

No que respeita à nutrição, estamos agora a atravessar um ponto de viragem. A evidência científica tem-se acumulado, a literacia em saúde tem feito o seu caminho de forma discreta, os meios de comunicação são ferramentas que se têm tornado aliados fundamentais (embora também disponibilizem informação pouco credível ou mesmo errada) e o consumidor começa a mudar as suas exigências, acrescentando um requisito: ser saudável. Neste caminho, assistimos muitas vezes a casos do dito fundamentalismo, em que a alimentação passa a ser um exercício rigoroso de regras constantes, com contagem de calorias e leitura exaustiva de rótulos, sendo mais uma carga e preocupação numa vida por si só já cheia de tarefas e pesos e não deixando espaço para o livre arbítrio e muito menos para o prazer de comer. Neste caso as pessoas tornam-se escravas, não encaram a alimentação com a leveza e prazer que ela também deve proporcionar. Em contraste com esta realidade, estão os casos – ainda muito frequentes – em que reina a alimentação monótona de quem se rende essencialmente à comida pronta a comer, não se dedica sobretudo a comer alimentos naturais e a procurar o equilíbrio alimentar por falta de tempo ou por cedência às ofertas apelativas da industria ou até por confiar nas mesmas, desconhecendo não fazer uma boa opção. Aqui, a dita monotonia afecta a qualidade alimentar, tantas vezes desencadeando carências nutricionais. Em qualquer um dos casos, como disse antes, é urgente voltar a gostar de comida e de comer, fazendo-o de forma consciente e leve. Comer não deve ser mais uma preocupação excessiva e constante; deve, isso sim, fazer parte do nosso dia-a-dia da forma mais natural e agradável possível. Se não usássemos mal o tempo, teríamos disponibilidade para cuidar da base da nossa saúde e do nosso bem-estar, que é incontestavelmente a alimentação. Tantas e tantas vezes não fazemos dela uma prioridade por considerarmos que não queremos “perder tempo” quando na verdade ganharíamos tempo – tempo de vida!
O equilíbrio entre as realidades descritas é necessário. Perde-se muito neste mundo de informação excessiva em que inevitavelmente existe também tanta contra-informação. É necessário voltar a sentir a comida como antes. Estamos a perder até uma parte cultural que faz, que sempre fez, parte da nossa cultura e tanto a enriquecia.

Com tantos projetos, sobra-lhe muito tempo para a vida pessoal?

Como lhe disse, agora, sim. Agora que vivo mais leve e tenho tempo para me mimar, tudo flui.

Vive sozinha, com os seus dois gatos? São uma grande companhia? Quem são eles?

O Mel e o Cacau são companheiros incríveis. Precisavam de uma casa e há 4 anos adoptei-os (e eles a mim). São uma fonte de ternura e alegram os meus dias. Espero também alegrar os deles.

“Gosto de mim (todos os dias)” do seu livro-agendal e, segundo o seu blog, um objetivo que se impõe. É algo fundamental?

Pelo que já disse, penso que fica claro que sim.

Ser amor é tão simplesmente: Ser. Não ”ter” –  Ser. Essa jornada começa dentro de nós, cultivando um amor verdadeiro por nós próprios, acarinhando-nos. Só então teremos o suficiente para dar aos outros. E nesse vaivém de amor vamos percebendo que somos muito mais felizes.

Que conselhos dá a quem não consegue ter esse sentimento?

Somos fontes inesgotáveis de amor. Este é um princípio universal, todos começamos por ser tão somente amor e vamo-nos distanciando desse caminho, que começa, talvez, pela perda – mais gradual ou mais rápida – do amor-próprio. Vamos deixando de ser quem somos e vestimos outras peles, damos cabo de nós nesse disfarce que pesa tanto. Neste processo entram as nossas experiências, que nos criam medos, entram as crenças e valores que nos foram incutidos, tudo o que fomos absorvendo de fora para dentro. E tanto tempo nos mantivemos presos aos fluxos de fora para dentro que nos esquecemos que nos fazem mais falta precisamente os de dentro para fora, de nós para nós mesmos. Mais importante do que todas as formas que percecionamos é o que sentimos, o que não tem forma, o nosso mundo interior. Interessa mudar o foco da nossa atenção, voltarmo-nos para dentro, para nos amarmos novamente na plenitude que merecemos. Saberemos quem somos, o que nos move, para onde queremos ir e onde queremos chegar? Se não, ainda, foquemo-nos na procura destas respostas. O amor é a chave de tudo o que é bom.

É importante que cada um faça a sua autoanálise e também que pare de se criticar. Devemos sobrepor a vozinha interior que nos diz o quanto somos bons à que constantemente nos auto sabota e maltrata. Quantas vezes somos o nosso pior inimigo? É urgente reencontrar o amor dentro de si. Ame-se! Mime-se! Cuide de si. Deve sentir que dá cada passo na vida rumo ao caminho certo, que está exatamente onde deve estar. Já experimentou essa sensação? Se ainda não, está muito a tempo. Essa é a boa notícia: estamos sempre a tempo de tomar as rédeas da nossa vida.

Nasceu em Vila Real, mas vive no Porto. Como define a cidade que escolheu para viver? (Está bastante diferente do que era há uns anos…)

Na verdade fui nascer ao Porto, mas passei uma parte da minha infância em Vila Real e outra em Chaves.

O Porto é uma cidade muito rica em memórias históricas de todas as espécies. É uma cidade de gente sã. É uma cidade de (muito) trabalho e muito bairrista.

Resumirei tudo o que poderia descrever em muitas páginas, dizendo somente que o meu Porto é uma cidade que se sente respirar em cada monumento, em cada casa mais antiga, em cada pequena ruela.

Via-se a viver noutro sítio?

Sim, via. No meio do campo, com o som de um riacho, uma horta, um estúdio cheio de tachos e uma secretária para escrever.

Afirmou no seu blog, que é “uma mulher apaixonada pelas coisas simples da vida”. O que a faz feliz?

Agora, quase tudo. Cada despertar. Cada refeição. Cada inspiração. Cada expiração. Cada vez que abraço os meus sobrinhos. Em cada beijo do meu pai. Em cada abraço da minha mãe. Cada contacto com os meus pacientes. Sentir os pés na terra. Ouvir o som tranquilo da água. Despertar com o som dos pássaros. Ter em mim o olhar terrento do Mel e do Cacau. Receber o sorriso de alguém na rua e sorrir-lhe também. Cada viagem na Cozinha com Coração. Cada vez que saboreio a minha “comida feliz”. Cada mantra de boas-vindas ao sol ou à lua. Cada vez que abro o coração. Confiar, orar, dar as mãos. Pensar no meu Guru. Tudo o que penso, digo e faço com amor. Simples, não é?

 

Pode falar mais sobre o seu Guru?

É o meu Mestre Espiritual, chama-se Paramahamsa Vishwananda e é hindu. É uma fonte do mais puro amor e ensina-nos nesse caminho tão curto mas ainda assim tão complexo, que é a viagem entre a mente e o coração.
Na verdade já o deve conhecer, é também o Guru do Rui Patrício. Através dele aprendi técnicas de Atma Kriya Yoga, que tornam os meus dias tão melhores. Desde que o conheci, a minha vida tem muito mais amor!

E desta vez proponho-vos mais um tratamento de beleza nas “Dicas da Bravo”. Nesta linha de cosmética natural hoje tem lugar um esfoliante preparado com apenas 3 ingredientes. Acreditem que o efeito é maravilhoso, a pele fica tão macia!

 

Esfoliante de matcha
4 c. sopa óleo de coco
q.b. açúcar mascavado claro
1 c. sobremesa matcha
Aquecer o óleo de coco até ficar líquido (sem ferver), adicionar açúcar até obter a consistência desejada e por fim envolver a matcha.