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É com o maior gosto e orgulho que amadrinho o projecto “Por Mais Saúde” . Tem como objectivo combater o problema da obesidade infantil e criou um livro infanto-juvenil e uma aplicação móvel. São tão divertidos e didáticos, têm mesmo que conhecer. As crianças adoram, os educadores e pais estão envolvidos no processo de aprendizagem… Espreitem, vão adorar!
Vejam o vídeo completo no Canal Nutrição com ♥️ do Jornal de Notícias AQUI.

 

 

//youtu.be/rUekuUTiEvU

“Ainda há, queiramos ou não, um grupo de pessoas que se foca mais em facilitar aparentemente o dia a dia, de forma a não perder tempo, mas a verdade é que não estão a ganhar tempo, estão a perdê-lo, estão a perder tempo de vida.

Numa altura em que todas as conversas vão dar a temas de nutrição, as pessoas mostram-se cada vez mais sedentas de informação fidedigna”, contudo, deixam-se ainda encantar por falsos entendidos’ na matéria, bloggers e utilizadores das redes sociais que fazem uso destas plataformas para dar conselhos e dicas nutricionais sem ter uma formação para tal. E essa é a “grande luta dos nutricionistas.

Nunca se falou tanto em nutrição e alimentação como nos dias de hoje. Isso é bom?

Acho que é bom, embora haja muitas teorias contraditórias e que confundem, mas pelo menos as pessoas têm muito mais informação e estão muito mais atentas do que estavam há uns anos. Trabalho há 14 anos e já noto uma certa diferença. Acho que é positivo, é um alerta de que as pessoas estão muito mais atentas, que procuram obter informação fidedigna porque já conseguem filtrar.

Mas fala-se muito em nutrição, só que nem sempre são os nutricionistas a ter a palavra. Corremos o risco de ter demasiados falsos entendidos na matéria?

Claro que sim e esse é o problema neste momento. As pessoas opinam acerca de assuntos sobre os quais não têm formação. Nós tirámos um curso, uma licenciatura e estudámos cinco anos, não faz muito sentido que depois venham pessoas que não têm formação alguma na área da nutrição dar dicas, conselhos, sugestões. Aliás, a grande luta dos nutricionistas é exatamente essa.

Há muita informação que não é fidedigna e que, muito provavelmente, confunde, porque muitas vezes é dada por pessoas que são admiradas e adoradas por não sei quantos seguidores nas redes sociais e isso sim é uma preocupação para os nutricionistas, aliás, é a preocupação maior neste momento.

É fácil ser nutricionista nos dias de hoje, especialmente agora em que são publicados estudos todos os dias e alguns são até contraditórios?

Isso acontece em todas as áreas da ciência. Não é apenas na nutrição é também na medicina. Os estudos decorrem e continuam a decorrer e cada vez que há novas informações que até podem contradizer aquilo que se defendia há uns anos, temos é de explicar isso às pessoas de forma explícita. Às vezes temos de alterar as recomendações para evoluir.

Com a quantidade de informação que há hoje, as pessoas chegam ao consultório já com ideias pré-definidas ou crentes em teorias que ouviram ou leram algures?

Sim, chegam, mas como trabalho há já 14 anos, noto uma diferença. Noutros tempos, quando marcava uma consulta iam sem ideias pré-concebidas, depois houve uma altura de muita confusão, em que as pessoas acreditavam muito naquilo que ouviam e já iam com ideias definidas, algumas delas erradas. Agora, as pessoas põem em causa muitas das coisas que ouvem e quando querem um parecer incisivo, é ao nutricionista que vão. As pessoas estão sedentas de informação fidedigna, noto cada vez mais.

E no que diz respeito à obesidade e ao excesso de peso, nota diferença entre os pacientes de agora e aqueles que seguia nos primeiros anos de carreira?

Noto completamente, noto que muitas pessoas iam ao nutricionista ou quando tinham um problema de saúde e eram aconselhadas pelo médico e percebiam que tinham mesmo de mudar a alimentação porque tinha uma implicação direta na patologia, ou porque queriam emagrecer, mas não a longo prazo.

No verão havia um pico de consultas, depois, no Natal, havia um decréscimo enorme. Agora é completamente diferente, as pessoas estão muito focadas na saúde e já não tenho aqueles picos de sazonalidade que notava nas consultas de emagrecimento. Aliás, ainda no ano passado, em dezembro, tive imensas primeiras consultas e isso mostra a consciência das pessoas, as preocupações com a saúde. Era dezembro e, sabendo que vinham as festas, as pessoas queriam na mesma ter uma primeira consulta de nutrição até para evitar fazer excessos indiscriminadamente.

Há as pessoas que querem emagrecer e o foco principal é esse, claro que cada vez mais têm a consciência de que a alimentação é fundamental para a manutenção da saúde e para evitar doenças e já não procuram tanto para curar, para tratar ou como último recurso, mas para prevenir e percebem que a redução de peso deve ser algo a longo prazo, porque a saúde se ressente. O facto de já não haver picos de consulta ao longo do ano demonstra isso: antes as pessoas chegavam e diziam ‘quero emagrecer o mais rapidamente possível’, agora a grande maioria diz-me ‘tenho tempo para emagrecer, quero é ter saúde’. Esta diferença é uma vitória imensa para um nutricionista.

Mas mesmo assim Portugal continua com uma elevada taxa de obesidade. É possível encontrar um culpado para este cenário?

Sim, é possível. Claro que temos ainda muito caminho pela frente e há muitas condicionantes, mas o que lhe digo é que as pessoas têm uma vida muito atribulada e com horários complicados, sobretudo quem tem filhos e quem vive em grandes cidades, porque leva com o trânsito. Enfim. Muitas das vezes as pessoas continuam a não perceber, e esse é o grande erro, que comer de forma saudável não é o mesmo do que comer alimentos processados, refeições pré-cozinhadas, snacks que não têm interesse algum.

Ainda há, queiramos ou não, um grupo de pessoas que se foca mais em facilitar aparentemente o dia a dia, de forma a não perder tempo, mas a verdade é que não estão a ganhar tempo, estão a perdê-lo, estão a perder tempo de vida. Ainda há muitas pessoas, apesar de tudo, que acham que confecionar de forma saudável, preparar o dia alimentar saudável ocupa muito mais tempo do que optar pelo que há aparentemente mais facilitado, o que não é verdade.

Por que razão tão difícil passar com eficácia a mensagem de que a comida tem um real impacto na saúde e bem-estar?

Acho que se nota uma evolução da tomada de consciência nesse sentido, mas ainda há muito trabalho para fazer. Noto diferença no tipo de pessoas que me procuram, mas um colega meu que trabalhe em ambiente hospitalar ou numa zona diferente daquelas em que trabalho – eu trabalho em Lisboa e no Porto – vai ter uma opinião ligeiramente diferente. A nível da educação alimentar para promover a saúde há muito a fazer, muito, muito mesmo.

E essa educação alimentar devia ser reforçada nas escolas?

Claro. E já há trabalho ótimo a ser feito nesse sentido, mas é preciso contar com a responsabilização das crianças, entre-aspas, a partir da idade em que elas sentem que têm um papel ativo em passar a mensagem, até aos pais. Há idades muito interessantes em que isso resulta bem.

É preciso, então, tentar trazer para a alimentação o conceito que resultou com a reciclagem, em que as crianças ensinavam aos pais…

Sim, sim. Estagiei num centro de saúde e dava formação em escolas e notava que em determinadas idades isso funcionava lindamente. Perguntava ‘comem sopa lá em casa?’ e eles ‘não’ e era giro ouvir os pais dizerem que as crianças passavam a querer sempre comer sopa e a dizer ‘todos temos de comer sopa antes das refeições’ e ‘todos temos de beber água’. Mesmo os pais que não tinham esses hábitos, por algum motivo, passavam a ter porque há idades que são cruciais, mas quanto mais cedo se começar a educação alimentar, com bons exemplos em casa, melhor. Envolver as crianças em jogos, giros, dinâmicos e interativos funciona muito bem, porque é aí que se cria a melhor disciplina alimentar, não é na idade adulta, em que é muito difícil mudar alguns hábitos enraizados. Importa em todas as idades, mas é na infância que é mais importante, aí as necessidades são muito específicas.

Há crianças que comem pouca fruta, que não comem legumes e, naturalmente, há algumas necessidades nutricionais que não estão asseguradas e é por isso que é importante a ingestão de todos os grupos da roda dos alimentos. Se os pais não deram o exemplo, se nas escolas não há a promoção e educação, mais difícil será que as crianças tenham bons hábitos.

E mais, há um erro enorme que é fazer de uma sobremesa, de um gelado ou um fast-food recompensa para qualquer coisa. Isso é um erro enorme. Porque não dizer ‘se fizeres seja o que for bem, vamos preparar uma panqueca de aveia com fruta’. Porque é que se dá um Bollycao, um [hamburguer do] McDonald’s? Isso não deve ser uma recompensa, porque logo aí a educação para a saúde começa mal. Numa criança todos os passos devem ser bem medidos e na área da alimentação não é diferente.

Com tantos casos de excesso de peso em Portugal, especialmente entre os mais novos, não corremos o risco de ter no futuro um população com uma baixa-autoestima?

É uma questão difícil de responder porque partimos do princípio que os hábitos não vão mudar entretanto. Claro que a probabilidade de as crianças obesas continuarem obesas na idade adulta é maior, mas devemos contrariar isso o máximo possível. Se responder sim, estou a ter uma atitude derrotista, portanto, vamos acreditar que os hábitos possam mudar e que a consciencialização possa ser o mais rápida possível. Pelo menos esse é o nosso trabalho, a nossa ambição, cada vez mais, por isso acredito que possamos fazer a diferença.

Seja por excesso ou por defeito, a alimentação está em grande medida associada às emoções. O nutricionista tem também um papel de psicólogo?

Ora, ninguém faz o trabalho de ninguém. Da mesma forma que não há bloguers que façam o trabalho de um nutricionista, também não há nutricionistas que façam o trabalho de um psicólogo. É muito importante, primeiro, saber ouvir, segundo, saber respeitar a pessoa que temos à nossa frente e respeitar é saber se a pessoa tem episódios de voracidade recorrentes e por mais que falemos na segunda, na terceira, na quarta consulta continua a ter, temos de tentar perceber que cada caso é um caso, que cada realidade é diferente, que cada meio envolvente da pessoa é diferente e que isso mexe muito co, as emoções e a comida é uma compensação.

Portanto, há que saber ouvir, há que saber respeitar, porque cada nutricionista tem uma experiência pessoal muito própria e isso influencia a forma como fazemos ouvir o paciente. Uma nutricionista mulher, vamos imaginar, sabe o que é passar por uma fase pré-menstrual na primeira pessoa e isso ajuda, não estou a dizer que um homem não saiba fazer tão bem o trabalho como uma mulher, porque sabe, o que digo é que se um nutricionista já ouviu vários relatos, já acompanhou várias pessoas com especificidades muito próprias que ele próprio ou ela própria antes – na adolescência passou por fases em que compensava mais estados emocionais com a comida ou fases em que tinha estados de ansiedade ou tristeza – isto vai ajudar na consulta, porque há uma parte que não vem só da formação.

A parte principal é aquilo que aprendemos na universidade, nos estágios e nas formações, como é óbvio, mas há também uma parte humana muito importante. Há sempre. A forma como se comunica com a pessoa muda tudo.

A nível prático, há uma boa ligação entre as áreas da Psicologia e da Nutrição?

Sim. Claro que há consulta simples em que a educação alimentar é muito simples, mas há outros casos em que há hábitos enraizados ou uma questão emocional tão vincada que, sem dúvida, direciono diretamente para um psicólogo. É ótimo se pudermos trabalhar em multidisciplinaridade.

É possível notar em Portugal um aumento de um certo tipo de obsessão com a alimentação saudável. Podemos falar de ortorexia? As pessoas têm consciência de que existe um distúrbio alimentar associado à alimentação saudável?

A ortorexia não é assim tão comum, casos de pessoas que deixam de ter vida social porque isso condiciona a vida alimentar, o ter tudo tão manipulado, tão calculado que se fecham muito. Isto é um dos lados da ortorexia.

Não acho que seja tão comum assim, acho que há pessoas muito mais preocupadas com a alimentação, não sei se excessivamente preocupadas. Agora há mais pessoas que transmitem isso, através das redes sociais mostram essa sua preocupação com a alimentação e antes não tínhamos essa perceção.

Conheço poucas pessoas que sofram de ortorexia. Se elas têm consciência? Têm. A determinada altura, pelo menos nos casos que acompanhei, conseguem gradualmente ir mudando e tornando a alimentação algo natural na sua vida e não uma obsessão.

Quando afeta a vida social e faz com que as pessoas se fechem, sim, é preocupante, mas é como lhe digo, na minha experiência profissional não contactei assim com tantas pessoas. Preocupadas? Sim. Casos de ortorexia? Poucos.

Isso é bom, tendo em conta este ‘boom’ impulsionado pelas redes sociais…

Sim, claro. Há uma coisa que é fundamental e que digo em todas as minhas consultas: Temos de adaptar a alimentação à nossa vida e não a nossa vida à nossa alimentação. A partir do momento em que não o fazemos, pelo menos de forma constante, não corre bem porque passa a ser uma obsessão e das duas, uma: ou mexe com a nossa qualidade de vida a vários níveis, ou conseguimos manter essa disciplina rigorosa por muito pouco tempo e depois vem o reverso da medalha. É o oito e o 80, vêm as oscilações, é o fazermos tudo e depois não fazermos nada.

Por falar nesse oito e 80. É difícil encontrar um equilíbrio quando se fala de alimentação?

Não acho que seja difícil encontrar o equilíbrio, difícil é se generalizarmos. Temos de ouvir a pessoa com calma e perceber o estilo de vida dela, e o estilo de vida não é falar só do exercício e do que gosta de comer, é saber onde come. Por exemplo, se tiver uma paciente que faz sempre a merenda da manhã num café ao pé do trabalho e eu de repente digo ‘não, não, agora vai levar a sua marmita’, claro que não vai correr bem. Agora, quando adaptamos o mais possível à vida da pessoa, é fácil.

Qual é o maior erro que as pessoas cometem no que diz respeito à alimentação?

Recorrer àquilo que é mais simples, que sabe melhor e que tem excesso de sal. Tudo o que é excessivamente processado. Mas a crença de que é mais fácil comprar do que fazer é também totalmente errada. Se as pessoas começarem a pôr em prática, a fazer as marmitas em casa e a preparar os lanches vão ver que é fácil, rápido e barato.

Pode preparar-se comida de forma saudável e não tem de ser tudo fresco. Não podemos ser fundamentalistas, não posso dizer às pessoas para irem comprar legumes frescos todos os dias como seria ideal e cozer a vapor. Mas pode fazer-se para três dias e meter no frigorífico ou no congelador, fazer uma dose de arroz ou de quinoa que dê para três vezes e com isto, tendo um pouco de carne ou peixe, consegue-se uma marmita ótima e equilibrada e não tem de se estar sempre a confecionar. É rápido, agiliza-se em termos de tempo e consegue-se saúde.

Reparei que na sua página de Facebook desafia as pessoas a partilharem as refeições que fazem. É uma forma de estar mais próxima?

Sim, página, aliás, foi criada com esse propósito há uns quatro anos. Criei a página eram 21 horas quando cheguei de Lisboa e no dia a seguir tinha seis mil e tal seguidores. Começou logo dessa forma, a minha pergunta era: ‘este foi o meu jantar e vocês o que jantaram?’. As pessoas percebem que têm ali alguém que as vai acompanhando, mesmo que não seja uma consulta.

E quais são as dúvidas que as pessoas colocam com mais frequência?

Há várias. Ou tem a ver com exercício ou com produtos específicos que encontram no supermercado e que querem saber se podem ou não comer, de que forma, em que doses, como podem substituir. É mais por aí.

A Ana tem um blogue, cinco livros e uma agenda. O que é que ainda falta fazer?

Quero fazer muita coisa, quero facilitar a vida às pessoas, quero que percebam que nem sequer há margem para questionar que ter uma alimentação saudável é, como lhe disse, simples, fácil, rápido e ainda por cima mais barato. Por isso, todas as formas que eu encontrar, algumas em projeto, para facilitar a vida às pessoas, não pararei.”

 

Texto e imagem retirados de: https://www.noticiasaominuto.com/lifestyle/845360/facilitar-no-dia-a-dia-nao-e-ganhar-e-perder-tempo-tempo-de-vida

 

Li este artigo (para ver na íntegra, clique na imagem) e não resisti em partilhar… Um anúncio criado por uma cadeia de supermercados alemã, conhecida pelas suas campanhas publicitárias  criativas, está a ser criticado pela sua falta de sensibilidade. O objectivo desta campanha é alertar para a mudança de hábitos alimentares como forma de combate ao excesso de peso. Uma boa intenção, que acabou por gerar o efeito oposto e desencadear revolta.

Digam-me, de que lado ficam?

A forma mais simplista de olhar para esta questão é pensar no número de calorias ingeridas e no número de calorias gastas e o resto é matemática. Quando ingerimos mais do que gastamos, o peso aumenta, quando o inverso acontece o peso diminui. Não podemos esquecer, no entanto, que o peso não é só o número que aparece na balança: é o conjunto de vários tecidos e órgãos, cada qual com as suas propriedades e fisiologias muito próprias e por isso, aquilo que parece matemática pura à partida, tem tantas variáveis pelo meio que se torna mais num sistema dinâmico digno de física quântica. Não invalida que se tenha atenção à energia ingerida e gasta, mas relembra que o corpo não é um simples recipiente de entrada e saída de energia; importa também o que essa entrada e saída provocam no funcionamento de todas essas estruturas.

Concentremo-nos em apenas alguns aspetos: tecido muscular, tecido adiposo, sistema endócrino (hormonal) e sistema gastrointestinal. Estes são os 4 mediadores mais importantes das alterações quantitativas e qualitativas do nosso corpo. A permeabilidade intestinal, por exemplo, é responsável pela passagem de toxinas que contribuem para o desenvolvimento da diabetes, de inflamações e para o fato de algumas pessoas obesas sentirem fome constantemente.

Um estudo recente publicado na Nature  (pode ler a notícia que o divulga, aqui) aborda a utilização de uma bactéria e de uma proteína isolada desta bactéria, na regulação da gordura corporal e no aparecimento de diabetes. Alegadamente os ensaios realizados em cobaias mostram que os mecanismos pelos quais isto acontece prendem-se com o controlo da absorção intestinal de nutrientes e um efeito direto na produção e efeitos orgânicos da insulina. Não importa esmiuçar os mecanismos através dos quais os autores concluíram que estes processos acontecem, mas sim reforçar o papel importante que o funcionamento intestinal e a hormona insulina desempenham na fisiopatologia destas doenças. Poderá haver aqui um potencial medicamento para a prevenção e/ou tratamento de obesidade e diabetes, mas ainda há muito caminho a percorrer e muitos estudos em humanos.

Se quiser perder peso, arriscaria dizer que qualquer dieta de restrição acentuada de calorias resolve-lhe o assunto. Se quiser alterar o funcionamento dos vários tecidos e componentes do organismo, equilibra-los com os efeitos da atividade física, a repercussão destes no sistema hormonal, com o contributo da saúde gastrointestinal, não é qualquer combinação de alimentos e/ou nutrientes que lhe resolve o assunto. É um sistema aberto, dinâmico, em constante mudança e por caminhos que a ciência ainda não domina na sua totalidade.

Será que uma caloria é sempre uma caloria, com idênticos efeitos no corpo? Arriscaria dizer que não! Aliás, à velocidade que a ciência evolui, as verdades de hoje são muitas vezes contestadas já amanhã ou depois.

As recentes declarações do Diretor-geral da Saúde vêm reforçar aquilo já tem sido descrito em diversos estudos nacionais e internacionais:
1. Aalimentação é um dos fatores mais determinantes no estado de saúde e doença das populações.
2. Os principais erros nutricionais dos portugueses são o consumo excessivo (mais do dobro do recomendado) de:
a) sal e produtos salgados;
b) açúcar e produtos açucarados;
c) gordura saturada.
3. Os erros alimentares aumentam não só o risco de doença, mas diminuem a esperança média de vida, a qualidade de vida e o número de anos que vivemos livres de doença.
Assim, controlar a epidemia da obesidade não é o único problema em que se deve investir o tempo e dinheiro dos contribuintes: a hipertensão, a diabetes merecem também um destaque muito importante!
Importa ainda referir que a prevenção faz-se a longo prazo. Tudo o que fizermos agora vai-se refletir na nossa saúde daqui a várias décadas. É por isso necessário ser paciente e persistente, e acreditar que estamos no fundo a preparar um futuro melhor para as próximas gerações e tentar dar um pouco mais de qualidade de vida às atuais gerações.
Leia a notícia completa, aqui.