“Noctúria” refere-se à necessidade de se levantar a meio da noite, uma ou mais vezes, para urinar. É uma condição muito frequente em homens a partir dos 50 anos e pode estar relacionada com diversos fatores, muitos deles inerentes apenas à fisiologia humana, ao normal processo de envelhecimento, ou então a alguma patologia. Considera-se mesmo que é uma síndrome, uma vez que a sua causa pode vir de muitos fatores: poliúria(excesso de produção de urina em 24h do dia), redução da capacidade da bexiga e alterações do padrão de sono. A poliúria pode surgir por ter a diabetes descontrolada (excesso de açúcar no sangue promove maior excreção de urina) ou então por ingestão excessiva de líquidos durante o dia. A poliúria noturna pode ser causada por algum distúrbio na vasopressina (hormona que controla a excreção de água) pois os níveis desta dependem do ritmo circadiano, ou seja, das horas do dia e da noite. Supostamente de noite os seus níveis estão aumentados para que a produção de urina seja mínima e não se tenha de urinar durante o sono. A insuficiência cardíaca, a síndrome nefrótica e a insuficiência venosa periférica são patologias que fazem aumentar a produção de urina, tal como os medicamentos que se tomam para tratar estas condições. Pessoas que sofram de insuficiência venosa por exemplo, acumulam muitos líquidos durante o dia, formando edemas, que depois durante o sono desaparecem, sendo excretados pela urina noturna. A insuficiência cardíaca causa alterações do controlo da tensão arterial, que por sua vez faz alterar os níveis de vasopressina e consequente o volume de produção de urina.

A noctúria é mais frequente em homens porque há duas condições que são mais prevalentes nos homens: a apneia do sono (SAOS) e a redução da capacidade da bexiga. Nos casos de SAOS, o esforço para respirar faz aumentar a excreção de sódio (sal) e água, daí que as pessoas que acordam por dificuldades respiratórias, acabam por “aproveitar” para urinar. Nos outros casos, a hiperplasia benigna da próstata, cistite ou litíase vesical, condicionam o espaço de dilatação da bexiga (ou seja, a bexiga não consegue acumular tanta urina), promovendo uma micção mais frequente, mesmo durante o sono. Para terminar, os padrões de sono alteram-se com a idade. O envelhecimento faz com que se tenha um sono mais curto e menos profundo, fazendo com que se acorde mais vezes. A produção de vasopressina fica assim alterada e a produção de urina também.

Onde entra o sal no meio disto tudo? Ora, um estudo realizado no Japão, concluiu que, para evitar urinar durante a noite, não basta reduzir a ingestão de líquidos, ao contrário do que se tem pensado. Uma vez que a ingestão de sal, na generalidade da população, é exagerada (quase 2 vezes acima do recomendado) que o envelhecimento faz com que o corpo seja menos eficiente a lidar com este excesso, a tendência será para acumular o sal. Uma forma de o eliminar é através da urina. Ao cortar na ingestão de sal, estará a reduzir a necessidade de o excretar pela urina, promovendo uma diminuição de produção da mesma, com consequente menor frequência de idas ao WC durante a noite.

Ana Bravo
Author

Nutricionista: amante do tipo de cozinha que procura aliar saúde aos melhores sabores; Mulher: apaixonada pela verdadeira beleza das coisas mais simples; Objectivo: ser feliz na medida do possível, gostar de mim todos os dias e ajudar quem me segue, nesse mesmo caminho.

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